O medo do incontrolável

18 outubro 2016

Fotografia da minha autoria. Não utilizar sem autorização.

É muito fácil deixarmo-nos levar pelo medo. De qualquer coisa. Temos medo das consequências das nossas escolhas, temos medo de um bicho qualquer que decidiu entrar em nossa casa sem ser convidado, temos medo que as coisas não funcionem como esperávamos, temos medo da guerra. E é normal sentirmos isso. É normal que as nossas vivências e tudo aquilo que se passa à nossa volta nos deixem assim e nos façam colocar um pé no ar para recuar sempre que necessário. No entanto, de todos os medos racionais e irracionais, o que mais me assusta é o terrorismo. Primeiro, porque ele pode estar em qualquer lugar e, segundo, porque é completamente incontrolável. Não quero saber o que é que pode levar alguém a ter um ato desses porque, pelo que já vimos, isso não interessa. Não são dezenas de pessoas que pensam nisso como uma solução, já são centenas ou milhares. E isso é assustador.

Há pouco mais de três meses, senti na pele esse medo. No dia 14 de Julho, eu estava na França. Não propriamente em Nice, o local do incidente, mas estava lá. E, também eu, estava a ver um fogo-de-artifício em jeito de comemoração da "La Fête National". No momento em que chego a casa e me deparo com aquele cenário assustador na televisão, foi horrível. Caiu-me, literalmente, a ficha. Porque eu estava a fazer exatamente o mesmo que todas aquelas pessoas inocentes e poderia ter sido onde eu estava. E esse pensamento, naquele dia, fez-me temer pelo mundo. Porque não é justo alguém morrer porque outra pessoa se lembrou, não é justo ter medo de andar na rua, não é justo termos de pensar sequer na hipótese de um ataque. A sensação de medo que vivi nos dias a seguir, os olhares desconfiados das pessoas e as ruas que se esvaziaram pelo medo, eu nunca vou conseguir esquecer. 

No dia em que vim embora, o cartaz que está na fotografia em cima e que diz "Como viver com medo?" estava no aeroporto de Paris. E fez-me pensar imenso.

5 comentários:

  1. Muito obrigado :) Exato. O problema é que muitas pessoas não conseguem perceber onde começa e acaba o estilo mais sexy :P
    Boa! Fico super contente por isso!

    Entendo bem quão difícil é. No entanto, não nos podemos deixar limitar pelo medo... Obviamente que se as coisas acontecerem connosco, acabamos por culpabilizar por algo (quanto mais não seja por termos saído de casa) mas se deixarmos de viver pelo medo que sentimos, estamo-nos a limitar :/

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    1. Nos dias a seguir, confesso que tive bastante medo e que pensei muito em toda esta situação, mas obviamente não me podia deixar por ele e acabou por passar (:

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  2. Cada vez que ouço uma noticia sobre algo assim , até que quase o meu coração deixa de bater. Tal como tu tenho medo do terrorismo. Locais onde devia sentir-me em segurança já não são tão seguros assim. Porque agora sair de casa, tornou-se numa guerra interior entre o estar segura e que tudo vai correr bem e as mil uma possibilidades de acontecer qualquer coisa, só porque estava no sitio errado à hora errada. Não tem nada a ver com o sitio ou com a hora e sim com o terror que se faz sentir nos dias de hoje. Qualquer hora pode ser a errada e qualquer sitio também essa é verdade

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  3. Realmente, não adiante ter medo do terrorismo, é mesmo algo que está fora do nosso alcance. No entanto, eu também tenho medo deste, embora não tanto como algumas pessoas. Simplesmente tento esquecer o assunto, até porque tenho sonhos de viajar para vários sítios e não quero ser impedida dos concretizar.
    Mas claro que tenho receio de estar no sítio errado à hora errada.
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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