Deal with it? How?

09 novembro 2016


Fui passar este último fim-de-semana a casa e, entre conversas de jantar, surge o tema "Trump". A minha mãe afirmava com grande convicção que ele não seria eleito presidente e eu, que desejava com todas as forças estar errada, rematei com um "há uma grande possibilidade de estares enganada". E estava. Na verdade, os últimos dias que antecederam o dia da decisão tinham vindo a demonstrar isso mesmo: Trump era uma possibilidade. E, sem saber muito bem como, tornou-se numa realidade. Eram 7h48 quando desliguei o meu despertador e fui rapidamente procurar o resultado das eleições. Estremeci e levantei-me a uma velocidade alucinante porque não queria acreditar naquilo. Fiz mais umas pesquisas para ter a certeza absoluta de que aquilo era real e a ficha caiu-me: Trump é, oficialmente, o 45º presidente dos Estados Unidos da América. Sentem o medo só de dizer esta frase em voz alta? É assustador. Imprevisível.

Na verdade, sei bem que nenhum dos dois era um bom candidato, mas entre o mau e o péssimo a escolha tinha de ser a mais sensata. Não foi. A democracia escolheu um homem pequenino. Um homem que pensa que os algarismos da sua conta bancária lhe valem de tudo. Não valem. Nenhum dinheiro do mundo chegaria para apaziguar a raiva de ver alguém racista, xenófobo, machista e islamofóbico a chegar ao poder. A Terra acabou de se tornar num sítio ainda mais perigoso do que aquilo que já era e não há forma de contornar isso.

Na realidade, a estratégia dele foi bastante simples: dizer tudo aquilo que as pessoas querem ouvir. Depois, esperou que a comunicação social fizesse o resto do trabalho por ele. Deram-lhe mediatismo a mais, demasiado tempo de antena e ridicularizaram-no ao ponto de o tornarem intocável. E ele aproveitou-se disso de uma forma incrível. Ele provou que isso é mais do que suficiente para se chegar longe. E isso torna-se assustador quando penso nas pessoas parecidas a ele que podem estar a um passo de governar países como a França. As coisas podem descontrolar-se por completo e nós não teremos forma de contornar esta catástrofe. Enquanto isso, o Putin vai-se rindo e aplaudindo porque, cada vez mais, encontra parceiros que lhe agradem. 

Que dia tão triste. Que presidente tão mal escolhido. Que mundo tão virado do avesso. 

2 comentários:

  1. Identifiquei-me tanto com as tuas palavras, parece ter sido uma cópia da minha manhã e do que pensei. Agora e infelizmente, é esperar para ver. Esperemos que este sim, seja mais um daqueles políticos que não cumpre o que promete.

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