Fábrica da Nata

08 agosto 2017


Num dia que merecia um festejo diferente, fomos sem destino pelo Porto quando, de repente, olhamos para a Fábrica da Nata e vimos nela uma boa oportunidade para fazer uma pausa naquele passeio especial. Mal se entra, é-se invadido por um cheirinho maravilhoso que faz qualquer um querer provar um pedacinho desta maravilhosa iguaria. E, enquanto pensava no meu pedido, ia observando cada um dos funcionários a preparar dezenas e dezenas de pastéis de nata, mesmo ali à frente de todos os clientes. 

Acabei por optar por um clássico: uma nata quentinha e um café, que me ficou por 1,60€. Entre o local do pedido e onde nos podemos acomodar, é necessário mudar de andar, mas o espaço está maravilhoso. Clássico, requintado e decorado com muito bom gosto. Os quadros são todos de lugares emblemáticos do Porto ou do Douro e estão tão bem escolhidos que é impossível não parar para apreciar aquelas fotografias. Por isso, só posso aconselhar a fazerem uma paragem neste lugar e desfrutarem de uma boa nata e de um lugar extremamente agradável, cujo ambiente nos faz sentir em casa e com vontade de ficar horas à volta da mesa com pessoas especiais. 

Rua de Santa Catarina 331/335
Porto, Portugal

NOS Alive - Foo Fighters

07 agosto 2017


Há seis anos atrás, os Foo Fighters estiveram no NOS Alive e eu chorei por não os poder ir ver. Lembro-me perfeitamente de ficar acordada para conseguir ouvir pela rádio as três ou quatro músicas que a Rádio Comercial teve oportunidade de passar. Vibrei com todo aquele ambiente que se fazia sentir nos meus ouvidos e lamentei vezes e vezes sem conta por não poder estar a viver aquele momento de perto. No entanto, este ano as coisas foram bem diferentes. Assim que soube que os Foo Fighters estariam em Portugal, tratei de juntar dinheiro para garantir que, desta vez, eu estivesse ali bem perto deles. E estive. Naquele que foi o melhor concerto a que alguma vez eu assisti e que dificilmente será ultrapassado por outra banda qualquer. 

Entre o concerto anterior e o concertos deles, estivemos uns 45 minutos à espera, que pareceram horas. Ia olhando para o relógio de minuto a minuto e com uma sensação de nervosismo que nunca esperei sentir. Desde que me lembro que eles são a minha banda favorita e foram aquelas músicas que acompanharam grande parte da minha adolescência. Estar ali era um sonho. E, apesar de ter tentado não criar qualquer expectativa nos dias anteriores ao concerto, naquele momento tornou-se impossível. Comecei a pensar que músicas viriam dali, com qual eles fariam a abertura do concerto ou se teriam alguma surpresa preparada para nós. 


Uns minutos depois da hora prevista, aparecem eles. Energéticos, alegres e com ar de quem ia dar tudo naquela noite. Assim que começaram a tocar os primeiros acordes da "All my life" eu entrei num estado de felicidade que nunca tinha sentido antes. Mas não se ficaram por aí. O início deste concerto não poderia ter sido mais arrebatador e intenso. E com músicas que significam tanto para mim.

Houve de tudo no concerto, até mesmo canções do público para eles. E o que eu vibrei com isso! No entanto, foi no momento em que começou a "Wheels" que o meu coração não aguentou e eu desatei a chorar, enquanto acompanhava a versão acústica da música com os braços bem lá no alto. Eu vivi aquele concerto intensamente, mas não foi só por isso que aquelas duas horas e meia foram tão indescritíveis. Isso aconteceu porque eles deram tudo naquele palco e mostraram o porquê de os adorar há tanto tempo. Naquele momento, tudo o que eu queria era viver eternamente aquilo. Ainda assim, quando o concerto terminou, tudo pareceu um sonho. E ainda hoje parece.

Depois daquele dia, já vi o concerto no conforto da minha casa e o sentimento manteve-se. Foi um concerto inimaginável. Um sonho que, finalmente, se tornou realidade e que felizmente correspondeu a todas as expectativas que, durante todos estes anos, fui criando inconscientemente. Eles provaram naquele palco que a idade é um número e que quando se faz as coisas por gosto tudo flui naturalmente. E fizeram-me admirá-los ainda mais por isso. No fim, a "Everlong" não poderia ter sido uma melhor escolha para terminar aquele momento fantástico. "If anything could ever be this good again", cantei eu a acompanhar a voz do Dave no final daquele concerto. Espero que sim, que possa voltar a sentir aquilo num concerto deles. E que não tenham de passar mais seis anos para isso. 

Volto sempre aos lugares que me fazem feliz

01 agosto 2017


Sempre que escrevi aqui, fi-lo para deixar uma marca das coisas boas que eu queria guardar com carinho eternamente. Deixei sempre de parte os momentos em que fraquejei, em que me deixei ir abaixo com os obstáculos que tinha de enfrentar e os momentos que sei que não trariam qualquer tipo de felicidade para quem me lê. Provavelmente era um pensamento completamente errado porque, hoje mais do que nunca, consigo ver para além das coisas más que cada situação trás consigo. Acredito verdadeiramente que tudo tem um lado bom, mesmo quando o mundo insiste em nos pisar sem piedade ou nos tira o chão de repente. 

Ter este pensamento é uma constante luta diária, principalmente quando tudo parece estar errado. Num dia temos tudo e no outro, sem sabermos muito bem como, tiram-nos a tranquilidade. As lutas daqueles que conquistam o nosso coração também são lutas nossas, embora com uma dimensão completamente diferente, e nem sempre é fácil ter de lidar com situações tão assustadoras. Principalmente quando estas têm um nome tão duro de ser dito.

Esta é uma daquelas experiências que exigia (e continua a exigir) um momento de paragem. Desligar de tudo o que nos desconecta com o mundo real e enfrentar os medos com toda a força do mundo. Embora não planeado, foi completamente necessário. Mas, ao mesmo tempo, trouxe-me uma força gigante que eu espero conseguir transmitir à minha avó de todas as vezes que a abraçar. E que isso seja suficiente para a fazer vencer tudo o que ainda está para vir. 
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